Publicado por: PJ Diocese de Piracicaba | abril 27, 2009

Iniciar um grupo de jovens a partir da Crisma

Voltando ao Brasil depois de alguns anos estudando no exterior – acabei residindo numa paróquia onde não havia grupo de jovens. No ano anterior havia fracassado uma tentativa de formar um grupo a partir da Crisma. Tive motivos fortes para incentivar um trabalho inicial ali. Toda a metodologia da Pastoral da Juventude está baseada em grupos de jovens. Sem grupo não há continuidade, não se forma líderes, não se desencadeia um processo de conversão e de vivência do evangelho na vida cotidiana. Sem grupo os jovens têm que ser acompanhados individualmente pelos poucos assessores que existem – o que é impossível! Sem grupo as coordenações diocesanas são formadas de generais sem tropas. Não há credibilidade porque não se tem poder de mobilização.

Era urgente fazer alguma coisa para provar que era falsa a alegação de alguns, que a nova onda da cultura pós-modernidade havia criado um clima que inviabilizava a proposta de grupos estáveis. A resposta teria que vir de uma experiência concreta, não de livros ou afirmações teóricas.

Havia outro motivo para encaminhar uma solução neste nível: eu viajava dando muitos cursos sobre a metodologia e projeto da Pastoral da Juventude. Um dia mais cedo ou mais tarde alguém ia fazer a pergunta: “E como está o trabalho pastoral com jovens na sua comunidade?” Era uma questão de coerência.

Pensamos em formar um grupo de jovens a partir de uma turma de crisma que estava terminando. Não obstante, havia um problema: no ano anterior uma tentativa semelhante havia fracassado. Como evitar um novo fracasso? O(a) Assessor(a) do novo grupo seria a peça chave. Precisávamos de um(a) assessor(a) com habilidade para fundar – não afundar (o que infelizmente é comum) – o novo grupo.

Estive na posição de muitos assessores que por causa das múltiplas responsabilidades não dispõem de tempo suficiente para se dedicar à formação e acompanhamento sistemático de um novo grupo. Um grupo novo é como uma planta que se coloca na terra. Exige muita presença e acompanhamento até pegar raízes, criar coesão e formar seus próprios líderes. A solução foi encontrar alguém para assumir este papel – alguém com tempo, metodologia e clareza de onde se quer chegar. Por sorte uma pessoa que juntava estas qualidades aceitou o convite para assessorar o novo grupo.

O(a) novo(a) assessor(a) precisava “infiltrar-se” no meio dos crismandos para criar laços afetivos e conquistar credibilidade para depois propor a formação de um grupo de jovens como proposta de continuidade após recebimento do sacramento.

Há forte coesão e entusiasmo entre os membros. Diferentes líderes emergiram e hoje são ativos no grupo, na comunidade e na pastoral diocesana.

O sucesso do novo grupo foi resultado da metodologia usada. Diferentes fatores importantes ajudaram o crescimento do grupo: no início, o(a) assessor(a) precisava usar uma estratégia mais paternalista, para depois ir soltando as rédeas na medida em que novos líderes foram despontando. Outros métodos foram utilizados: o crescente envolvimento dos membros na tomada de decisões, a seriedade da preparação das reuniões com a divisão do grupo em pequenas equipes para preparar e coordenar os temas, reuniões animadas com muitas dinâmicas, um planejamento de 6 meses dos temas e atividades, montagem de vários teatros que criaram visibilidade para o grupo na paróquia, o envolvimento do grupo na preparação de uma missa dominical na paróquia (uma vez por mês), passeios coletivos, a participação dos membros em eventos promovidos pela a PJ diocesana (DNJ etc.) e a formação, a partir dos jovens do grupo, de uma equipe coordenação para acompanhar o processo. Após seis meses os membros do grupo participaram de um curso de final de semana (“Curso de Dinâmica para Líderes”) que teve o efeito de dinamizar e solidificar o processo já em andamento.

Claro que nem tudo aconteceu ao mesmo tempo. O grupo foi dando os passos possíveis em cada momento – graças à metodologia e clareza de objetivos do coordenador. Agora que o grupo criou forte coesão entre os membros agendaram dois outros passos importantes: um retiro espiritual de final de semana e um debate sobre a política estudantil.

(Autor: Pe. Jorge Boran, cssp)

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