Publicado por: PJ Diocese de Piracicaba | janeiro 12, 2009

Como fazer um grupo de jovens?

     O que é grupo de jovens cristãos de Pastoral da Juventude? Relembrando a nossa experiência, a primeira idéia era de um lugar com muitos jovens animados, acolhedores, que falava do evangelho e animava as missas e a comunidade (gincanas, mutirões, festas, festivais, teatros).

     Foi isso que vimos e que nos deixou curiosos e desejosos de fazer parte. Mas quando entramos, descobrimos que tinha algo “a mais”! Era exigente, tinha tarefas, brigas, muita reza, treinamentos, estudo. Tempos depois fomos sentindo que sabíamos e aprendíamos coisas que não se falava na escola ou na família e isso era bom. Descobrimos então que era também lugar de crescimento.

Como iniciar um grupo?

     Tempos (anos) depois nos deparamos com esse desafio. A primeira coisa que fizemos foi ir ver por que queríamos um grupo? Para quem seria o grupo, o local que se encontraria, o horário de funcionamento, o que discutir, viver, experimentar. A animação era total, mas faltava o principal: “os jovens”.

     Quem convidar, onde, como? A turma que ajudou a pensar todos esses passos citados logo teve algumas idéias. foi nesta hora que quase desistimos.
Veja algumas das sugestões: “vamos fazer convite na missa”; outro dizia: “Na crisma é um lugar legal também, lá tem muitos jovens”. Um outro mais xereta veio logo dizendo: “Isso eu já fiz e veio um tiquim de gente, foi um desânimo só.

     Algumas pessoas disseram que foi porque eu não dei muita graça na hora dos avisos finais”. Por causa dessas faltas decidimos, durante três meses percorrer caminhos diferentes:

1. Realizar uma tarde de lazer onde todos os jovens pudessem participar;

2. Convidamos nas missas depois de fazer um lindo teatro sobre a vida dos jovens;

3. Colocamos cartazes e fizemos convites e os distribuímos em turmas e pessoalmente nas escolas, campo de futebol, sorveterias, praças. Foi um trabalho enorme, mas veio muita gente;

4. Convidamos depois todos os que vieram para voltar 15 dias depois para uma celebração jovem, e depois para outro dia de reflexão, festa junina. Percebemos que um grupo fixo de pessoas estava sempre presente. Foi aí que convidamos estes para formar um grupo de jovens.

     Mais uma vez outro xereta pergunta: “para que isso? Grupo de jovens serve para quê?” Tivemos então que buscar novamente as respostas:

– Serve para fazer várias coisas legais e que nos preenchem como jovens e como pessoas humanas.
– É um lugar jóia para fazer novas amizades, contar coisas da vida, partilhar os desejos e sonhos, encontrar amores, poder ajudar as pessoas necessitadas, animar a comunidade, dando um rosto jovem e alegre a ela.
– Viver em grupo é muito bom. É algo natural, faz parte da gente.
– Grupo geralmente é um espaço que nos ajuda na descoberta das outras pessoas e da gente mesmo.
– Grupo é lugar de exercitar a fala, a opinião, o silêncio, defender pontos de vista.
– Portanto, lugar de descobrir, de ter objetivos mútuos, de respeitar as diferenças, construir a identidade.

A construção do grupo

     Um grupo se constrói através da constância da presença de seus elementos na rotina e de suas atividades.

     Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada participante:

– da timidez de um, do afobamento do outro; da serenidade de um, da explosão do outro; do pânico de um, da sensatez do outro; da seriedade desconfiada de um, da ousadia do risco do outro; da mudez de um, da tagarelice de outro; do riso fechado de um, da gargalhada debochada do outro; dos olhos miúdos de um, dos olhos esbugalhados do outro; da lividez de um, do encarnamento do rosto do outro. Um grupo se constrói construindo vínculo com a autoridade e entre iguais. Um grupo se constrói na cumplicidade do riso, da raiva, do choro, do medo, do ódio, da felicidade e do prazer.

     Vida de grupo dá muito trabalho e muito prazer porque eu não construo nada sozinho, tropeço a cada instante com os limites do outro e os meus próprios, na construção da vida, do conhecimento, da nossa história.

     Quem acompanha e coordena um grupo deve ter uma idéia do “processo de formação grupal” (caminho) que esse grupo vai fazer. Assim ele(a) garantirá que o grupo em um espaço de tempo seja não só convocado (chamado), mas também conheça a sua própria situação, descubra a comunidade, perceba como é a sociedade, a conjuntura maior que o cerca e como cada pessoa pode interferir e principalmente que essa militância contribua para definir, perceber sua vocação e seu projeto de vida.

     Assim o caminho será feito e todos(as) poderão cantar: “por isso vem, entra na roda com a gente, também você é muito importante, vem!”

(Fonte: SANTOS, Vanildes Gonçalves dos –  SILVA, Lourival Rodrigues da. Revista Mundo Jovem. 1999. Edição 294. Página 5.)

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